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Comunicação odorífera por deposição de fezes entre lontras (CARNIVORA; MUSTELIDAE; Lontra longicaudis)
 
    Este é um estudo experimental em campo para verificar o papel das fezes na comunicação intra-específica da Lontra longicaudis , realizado em Floresta Atlântica, no Ribeirão de Iporanga (Iporanga, SP, Brasil). A lontra deposita suas fezes em locais conspícuos,  provavelmente para demarcar o ponto. Suspeita-se que este comportamento seja importante na comunicação entre indivíduos para a partilha de espaço e recursos, e reprodução. Durante 12 meses foram mapeados os pontos de deposição de fezes de lontra em um trecho de 1,5 Km do rio, em 50 saídas a campo. Neste trecho foram  encontrados 34 pontos de deposição usados diversas vezes ao longo do ano. O número de fezes encontradas no inverno foi 6,4 vezes maior do que no verão. pois há menos chuvas que levam as fezes dos pontos. As lontras preferem depositar fezes principalmente em pedras que emergem da margem ou do meio do rio (77% dos pontos) . Após o mapeamento, foi feito um experimento para verificar se a lontra tende a remarcar um ponto do qual as fezes foram retiradas. As fezes foram retiradas de metade dos pontos, alternadamente, ao longo do rio. O controle foi a outra metade dos pontos onde as fezes foram deixadas. Após 3 dias foram contados os pontos com novas deposições de fezes. Este experimento foi repetido 8 vezes, a intervalos de um mês. Não houve tendência significativa de deposição de fezes nos pontos dos quais foram retiradas as fezes (χ2=4,748 p=0,0931 g.l.=2). Outro experimento foi realizado para testar se a lontra tende a remarcar um ponto no qual foram deixadas fezes de outro indivíduo. Foram obtidas fezes de lontra de outro rio, e introduzidas em pontos alternados (50% para o experimento e 50% para controle). Após 96 horas foi verificado se houve deposição de novas fezes nos pontos manipulados e controle. Este experimento foi repetido duas vezes, num intervalo de um mês. Houve uma freqüência significativamente maior de novas deposições de fezes nos pontos nos quais foram introduzidas fezes de lontra de outra região (χ2=8,531 p=0,0035 g.l.=1). Os resultados indicam que a marcação de uma área por L. longicaudis envolve estratégias de otimização, como a escolha de locais mais adequados para a deposição, e a remarcação periódica. O desaparecimento de marcações não altera este comportamento, possivelmente porque é um evento comum na área, devido à ação de chuvas. Já a presença de um novo indivíduo é respondida com um reforço de marcação seletiva.
 
Carla F. Josef
 
período 03/2001 a 03/2002