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caça e seus efeitos sobre a ocorrência de mamíferos
de médio e grande porte em áreas preservadas de Mata
Atlântica na Serra de Paranapiacaba (SP)
A Serra
de Paranapiacaba tem o maior remanescente florestal contínuo de Mata
Atlântica do Brasil. Poucos estudos sobre caça de animais silvestres
foram realizados nesse bioma até o momento. Não existem dados a
respeito de pressão de caça de mamíferos e eficiência na
fiscalização em unidades de conservação no contínuo de Mata
Atlântica do sudeste de São Paulo. Este estudo foi realizado em três
áreas na Serra de Paranapiacaba: duas áreas no Parque Estadual
Carlos Botelho - PECB (Sede e Base Turvinho) e uma na Reserva
Particular Parque do Zizo - RPPZ. O objetivo deste estudo foi
quantificar a freqüência de caça e de ocorrência de mamíferos de
médio e grande porte, e avaliar as diferenças nas freqüências dos
mamíferos nas áreas com diferentes intensidades de pressão de caça e
fiscalização. A freqüência das atividades de caça nas áreas foi
analisada com base em observações diretas e vestígios de caçadores,
além de entrevistas com moradores do entorno das áreas e dados da
fiscalização do PECB. Para registrar a freqüência de uso das áreas
por mamíferos terrestres de médio e grande porte foi utilizado o
método de parcelas de areia. Para as espécies arborícolas
utilizou-se o método de transectos lineares para obtenção da taxa de
avistamento das espécies e indivíduos nas áreas. Durante sete meses
de estudo foram observados 17 registros de atividades de caça em
duas das áreas estudadas, sendo seis no Zizo e 11 no Turvinho.
Segundo os dados da fiscalização não ocorreram evidências de caça na
Sede, e também no Zizo foram registradas menos evidências que no
Turvinho. Cumpre destacar que ocorreram mais visitas da fiscalização
no Turvinho que no Zizo. A pressão de caça foi considerada moderada
nas áreas onde a atividade foi registrada. Nas áreas de estudo foram
registradas 20 espécies, sendo 15 por meio de parcelas de areia e
cinco por avistamentos. Com um esforço amostral de 2700 parcelas
monitoradas foram obtidos 426 registros de presença na parcela nas
três áreas estudadas. Foi registrada maior freqüência de ocorrência
nas parcelas e taxas de avistamento, tanto de espécies como de
indivíduos na área da Sede, seguida do Turvinho e Zizo. Os onívoros
foram mais freqüentes na Sede, com destaque para freqüente
utilização das trilhas pelo (Cerdocyon thous) cachorro-do-mato, com
51,8% do total de registros nas parcelas. Os herbívoros e as
espécies cinegéticas foram mais registrados no Turvinho e os
carnívoros no Zizo. A diversidade de espécies foi semelhante nas
áreas estudadas, Sede e Turvinho (n=11) e Zizo (n=10). O maior
número de registros nas parcelas foi obtido na estação seca. Estes
resultados, associado ao atual contexto de pressões antrópicas na
região, demonstram que áreas com uma menor freqüência de ocorrência
de mamíferos de médio e grande porte, apresentam menor intensidade
de fiscalização e maior pressão. Conclui-se que a eficiência da
fiscalização pode ser importante na conservação de médios e grandes
mamíferos na região, visto que mesmo nas áreas com pressão de caça
moderada a presença da fiscalização contribui para uma maior
freqüência de animais.

Pesquisadora
monitorando as "caixas de areia" que registram as pegadas de
mamíferos nas trilhas das UCs
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